Anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por uma busca incessante pelo emagrecimento, uma imagem corporal distorcida, um medo extremo da obesidade e a restrição do consumo de alimentos, que resultam em um peso corporal significativamente baixo.

A anorexia nervosa costuma começar durante a adolescência ou no início da idade adulta e, raramente, começa antes da puberdade ou após os 40 anos de idade. Anualmente, aproximadamente uma em cada 200 mulheres jovens apresenta anorexia nervosa. A anorexia nervosa é menos frequente em pessoas do sexo masculino. No entanto, casos leves podem não ser identificados.

A anorexia nervosa é rara em regiões onde ocorre uma autêntica escassez de alimentos.

Há dois tipos de anorexia nervosa:

CAUSAS

A causa da anorexia nervosa é desconhecida. Poucos fatores de risco para esse transtorno, além do fato de ser do sexo feminino, foram identificados.

Fatores genéticos e ambientais (sociais) desempenham um papel importante no surgimento da anorexia nervosa. O desejo de ser magro prevalece na sociedade ocidental e muitas pessoas consideram a obesidade pouco atraente. Mesmo antes da adolescência, as crianças estão conscientes dessas atitudes e mais da metade de todas as mulheres adolescentes segue uma dieta ou adota outras medidas para controlar o peso. No entanto, apenas uma porcentagem muito reduzida dessas jovens apresenta anorexia nervosa.

Outros fatores, como a susceptibilidade psicológica, predispõem certas pessoas a apresentarem anorexia nervosa. Muitas pessoas que apresentam a doença pertencem a um nível socioeconômico médio ou alto, são meticulosas e compulsivas e são exigentes quanto ao que consideram uma conquista ou um sucesso.

SINTOMAS

A anorexia nervosa pode ser leve e transitória ou grave e persistente.

Um primeiro indicador da iminência do transtorno pode ser uma preocupação sutilmente crescente com dietas e peso corporal. Esse tipo de preocupação parece sem propósito, porque a maioria das pessoas que apresenta anorexia já não tem excesso de peso na época em que o transtorno tem início. A preocupação e a ansiedade intensificam-se à medida que a pessoa se torna mais magra. Mesmo após atingir um estado de emaciação, é possível que a pessoa continue a afirmar que está gorda, negue que há algo errado, não se queixe sobre a perda de peso e, geralmente, resista a receber tratamento. Ela continua tentando perder peso, mesmo quando amigos e familiares a tranquilizam dizendo que ela é magra ou avisam que ela está ficando muito magra. A pessoa com anorexia nervosa considera todo ganho de peso uma falha inaceitável do autocontrole.

O termo anorexia significa literalmente falta de apetite, mas a pessoa com anorexia, na verdade, tem fome. Muitas dessas pessoas não perdem o apetite até estarem muito emaciadas.

Além disso, a pessoa com esse distúrbio está sempre preocupada com comida. Por exemplo, é possível que ela:

Entre 30% e 50% das pessoas com anorexia nervosa apresenta episódios de compulsão alimentar e/ou purgativos por vômito autoinduzindo ou ingestão de laxantes. A outra metade simplesmente restringe a quantidade de alimentos que ingere. É frequente que a pessoa minta sobre quanta comida ela consumiu e oculte o fato de que vomitou e seus hábitos dietéticos peculiares. Algumas pessoas também tomam diuréticos (medicamentos que aumentam a excreção de água dos rins) para reduzir o inchaço aparente e como uma tentativa de perder peso.

A maioria das mulheres com anorexia nervosa para de ter a menstruação às vezes antes de terem perdido muito peso. Tanto homens como mulheres com anorexia nervosa podem perder o interesse sexual.

Normalmente, a pessoa com anorexia nervosa apresenta frequência cardíaca lenta, pressão arterial baixa, temperatura corporal baixa e pode apresentar cabelo fino e ralo ou excesso de pelo facial e corporal. Os tecidos incham devido ao acúmulo de líquidos (edema). Geralmente, a pessoa se queixa de inchaço, desconforto abdominal e constipação.

Os vômitos autoinduzidos podem provocar erosão no esmalte dentário, aumentar as glândulas salivares nas bochechas (glândulas parótidas) e fazer com que o esôfago fique inflamado.

A depressão ocorre com frequência.

Mesmo quando a pessoa já está muito magra, ela tende a se manter ativa, muitas vezes exercitando-se em excesso para controlar o peso. Essas pessoas apresentam poucos sintomas de deficiências nutricionais até chegarem a um estado de emaciação.

As alterações hormonais provocadas pela anorexia nervosa incluem valores pronunciadamente reduzidos de estrogênio (em mulheres), testosterona (em homens) e de hormônio da tireoide e níveis altos de cortisol.

Se a pessoa ficar gravemente desnutrida, é provável que isso afete os principais sistemas orgânicos do corpo. A densidade óssea pode diminuir, aumentando o risco de osteoporose.

Perdas de peso rápidas ou acentuadas causam problemas que podem ser fatais. Os problemas de coração, hidratação e eletrólitos (por exemplo, sódio, potássio e cloro) são os mais perigosos:

Vomitar e tomar laxantes e diuréticos pode agravar a situação. É possível que ocorra morte súbita, provavelmente causada pela presença de arritmias cardíacas.

DIAGNÓSTICO

Uma vez que a pessoa acredita que ela não tem um problema, ela resiste a receber avaliação e tratamento. Normalmente, ela é levada ao consultório médico por membros da família ou devido a outros transtornos.

O médico mede a altura e o peso e usa os valores para calcular o índice de massa corporal. O médico também pergunta como a pessoa se sente em relação ao corpo e ao peso e se ela tem outros sintomas. É possível que o médico use questionários criados para detetar transtornos alimentares.

É mais provável que uma pessoa tenha anorexia nervosa se ela atender aos seguintes critérios:

Restrição da alimentação que resulta em baixo peso corporal.

Medo de obesidade

Ter uma imagem corporal distorcida e/ou negar que tem um transtorno grave

A anorexia nervosa pode ser diagnosticada em crianças e adolescentes que não perderam peso, mas não cresceram como esperado, porque limitaram sua ingestão de alimentos.

PROGNÓSTICO

Sem tratamento, aproximadamente 10% das pessoas com anorexia grave morrem. Quando os sintomas são leves e passam despercebidos, a pessoa raramente morre.

O tratamento da anorexia nervosa pode ter os seguintes resultados:

Crianças e adolescentes tratados devido à anorexia nervosa apresentam melhores resultados do que adultos.

TRATAMENTO

Normalizar rapidamente o peso corporal é essencial quando algum dos eventos a seguir tenha ocorrido:

É possível que a pessoa com anorexia nervosa precise ser internada no hospital para garantir que ela consumirá uma quantidade suficiente de calorias e nutrientes. Comer alimentos sólidos é o melhor tratamento, mas às vezes, também são administrados suplementos líquidos. Em casos raros, a pessoa com desnutrição grave ou que resiste alimentar-se precisa ser alimentada por meio de uma sonda que é inserida pelo nariz, atravessa a garganta e chega ao estômago (sonda nasogástrica).

O médico também trata eventuais problemas causados pela anorexia nervosa. Por exemplo, se houve perda de densidade óssea, a pessoa recebe suplementos de cálcio e vitamina D.

Durante a hospitalização, providencia-se acompanhamento psiquiátrico e nutricional. A internação hospitalar também ajuda a pessoa a se afastar das suas circunstâncias normais e a interromper seus hábitos e comportamentos alimentares disfuncionais. Consequentemente, ela pode ter uma recaída que faz com que ela venha a piorar. No entanto, a maioria das pessoas não é internada.

Com frequência, é utilizada a psicoterapia que dá ênfase a estabelecer hábitos alimentares normais e alcançar um peso normal. Essa terapia inclui psicoterapia individual e familiar, como terapia cognitivo-comportamental. Normalmente, a terapia continua por mais um ano completo depois de a pessoa ter recuperado o peso perdido. Ela pode durar até dois anos.

A terapia familiar é útil para adolescentes. Essa terapia pode melhorar as interações entre os membros da família, e ensinar os pais a ajudar o adolescente afetado a recuperar o peso perdido.

A psicoterapia é mais eficaz em adolescentes que vêm sofrendo do transtorno por menos de seis meses.

A psicoterapia é especialmente importante, porque muitas pessoas com anorexia nervosa sentem um pouco de relutância em serem tratadas ou recuperar o peso.

O tratamento também inclui consultas médicas em intervalos regulares para avaliação geral. O tratamento costuma envolver uma equipe de profissionais de saúde, incluindo um nutricionista, que pode oferecer refeições específicas planejadas ou informações sobre as calorias necessárias para que o peso volte ao nível normal.

Não há nenhum medicamento específico para tratar a anorexia nervosa. Porém, medicamentos antipsicóticos mais recentes, como a olanzapina, podem ajudar a pessoa a ganhar peso.

LINKS ÚTEIS SOBRE O ASSUNTO

FONTE: Manuais MSD, publicação online de autoria de Merck Sharp & Dohme Corp., subsidiária da Merck & Co., Inc., Kenilworth, NJ, EUA.https://www.msdmanuals.com

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