Uma pesquisa do Children’s Hospital of Chicago, nos Estados Unidos, revelou que a saúde mental das crianças americanas foi prejudicada pelo ensino remoto durante a pandemia de covid-19. Prova disso é que um quarto ficou estressado, ansioso e irritado. Um terço das crianças e adolescentes se sentiu solitário.

Para chegar à conclusão, foram ouvidos mais de 32 mil cuidadores de estudantes. O questionário foi enviado em junho e julho do ano passado. Segundo a agência Reuters, aumentos alarmantes na taxa de crianças com problemas de saúde mental foram observados em todo o grupo. A proporção de crianças cujos cuidadores disseram que se sentiu sozinha aumentou em mais de 28% depois que as escolas fecharam, em comparação com as taxas anteriores ao fechamento. Até 44% das crianças pareciam bem ajustadas aos pais ou responsáveis ​​antes que a pandemia as mantivesse em casa e “muito poucas” mostravam sinais de problemas de saúde mental antes do fechamento das escolas, de acordo com o estudo.

Mas tudo mudou quando os alunos ficaram confinados em casa para assistir às aulas nas telas dos computadores. Até 30% das crianças que antes eram felizes ficaram com raiva, deprimidas, solitárias ou estressadas enquanto suas escolas fechavam. Quase dois terços das crianças pareciam, para seus cuidadores, ter um bom relacionamento com seus colegas antes da pandemia. Só que depois da covid, essa taxa caiu para menos da metade (47%).

“Os cuidadores estão relatando que a pandemia e o fechamento de escolas afetaram substancialmente seus filhos e adolescentes”, disse a autora do estudo, Tali Raviv, e psicóloga do Hospital Infantil de Chicago e da Northwestern University. “Uma maior atenção do público às questões de saúde mental dos jovens durante este período pode ajudar a alocar recursos de forma apropriada e informar as políticas para apoiar o bem-estar dos alunos conforme as escolas começam a reabrir”, completou. Em outras palavras, segundo a pesquisadora, simplesmente levar os alunos de volta para a escola pode não ser suficiente para desfazer as consequências para a saúde mental.

SAÚDE MENTAL EM FOCO

Em um comentário publicado junto com o estudo, os pediatras pediram aos funcionários da educação e aos políticos dos EUA para priorizarem a reabertura das escolas, mas preparadas para lidar com todos os desafios gerados pelo isolamento. “Um ano após o início da pandemia, os distritos escolares continuam atolados no debate sobre a reabertura e não há um consenso claro sobre a oferta de programas de escola de verão para ajudar a resolver a perda de aprendizagem e outras necessidades das crianças. O preço que isso custará a curto e longo prazo é impressionante, embora amplamente invisível no momento”, escreveram Danielle Dooley e Dimitri Christakis, pediatras do Children’s National Hospital e do Seattle Children’s Research Institute, respectivamente.

“Em cada estágio da evolução da pandemia na maioria das comunidades, a reabertura de escolas foi uma reflexão tardia e não uma prioridade. O tempo de debate sobre a reabertura das escolas já passou. Precisamos nos concentrar na reformulação da escola. A interrupção da aprendizagem e as consequências para a saúde das crianças significam que não podemos voltar à escola como de costume”, finalizaram.

Fonte: revistacrescer.globo.com

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