Como lidar com isso?

Artigo publicado na semana passada pelo The New York Times traz informações preciosas e dicas essenciais para cuidar dos pequenos e do mal que vem afligindo mais a nova geração.

Apresentamos a seguir um pequeno resumo desta importante matéria, de autoria da pediatra e escritora Perri Klass.

Dois a três por cento das crianças entre 6 e 12 anos podem estar sofrendo de depressão grave.

Durante a pandemia, as preocupações diárias não só aumentaram, mas também foram trazidas para dentro de casa, gerando um aumento da tensão no próprio convívio familiar. Com pais sobrecarregados, mudanças abruptas na rotina, isolamento social, perdas de familiares e amigos, entre inúmeras outras mudanças, a saúde mental dos mais novos também foi afetada. Entretanto, identificar seus conflitos internos e saber como ajudá-los não se apresentou uma tarefa fácil.

 A ideia da depressão normalmente não é associada às crianças, já que o conceito de infância remete naturalmente à inocência e à felicidade. Essa associação ocorre também por conta de um estudo conduzido na Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, por psiquiatras pediatras na década de 50. Este estudo afirmou que crianças não possuíam o ego formado suficientemente para desenvolver depressão. Contudo, na década de 1970, surge outro estudo comprovando que “crianças que já vão à escola podem sofrer com depressão diagnosticável”.

O transtorno da depressão não se apresenta em crianças da mesma forma que se apresenta em adultos, adultos jovens ou adolescentes. Segundo a Dra. Maria Kovacs, professora de Psiquiatria da Universidade de Pittsburgh, os sintomas se apresentam com características maiores de irritabilidade e mau humor, não possuindo o mesmo teor primário de tristeza observado nas demais idades que experienciam o mesmo transtorno. 

Comportamentos como o desânimo, para realizar atividades antes muito desfrutadas pela criança, ou mudanças drásticas na rotina e funcionamento também se configuram como padrões a serem observados.

O que fazer?

“Os pais devem encarar os sintomas de seus filhos com muita seriedade” afirma Jonathan Comer, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade Internacional da Flórida. Jonathan afirma ainda que a negligência para com estes sintomas tende a ocasionar problemas maiores com o passar do tempo e durante a vida adulta.

É de grande importância que pais e tutores não tenham receio de fazer perguntas sobre pensamentos suicidas. “Você não é capaz de fazer mal a alguém fazendo perguntas”, afirma a Dra. Kovac. A partir da crença muito comum no mito de que falar sobre suicidio pode plantar ideias na mente das crianças, adultos evitam abordar o assunto, quando, na verdade, se confrontadas com esta questão, crianças que não possuem pensamentos suicidas vão apenas olhar para o adulto como se ele estivesse falando de algo sem qualquer lógica. Mesmo quando crianças afirmam já ter tido pensamentos suicidas, seus depoimentos costumam girar em torno de falas como “eu não quero me matar, mas me sinto tão mal que não sei o que dizer ou fazer”. É indicado, aí então, que se pergunte à criança o que ela quer dizer com isso e, se for o caso, que se busque também a ajuda de um terapeuta. Depressão não está necessariamente baseada em uma situação causa-efeito. Muitas vezes, refere-se a mudanças na dinâmica familiar ou social durante a infância. Se não forem trabalhados os sentimentos vividos logo cedo, estas questões mal resolvidas podem desenvolver-se para um transtorno mais sério ao longo da vida.

Se estiver preocupado com a possibilidade de seu filho estar deprimido, é indicado que procure tratamento, ouça o que ele tem a dizer e observe seus comportamentos. Neste momento de dificuldade pelo qual a humanidade está passando, todos foram impactados de alguma forma e é essencial que olhemos uns pelos outros. Procure ajuda nos diversos centros de apoio psicológico ao redor do mundo, em clínicas e universidades que se multiplicam cada vez mais nestes últimos tempos, mesmo que isso signifique considerar tratamentos e atendimentos remotos.

Segundo aconselha a Dra. Maria Kovac, “os pais devem ver as lutas dos filhos como oportunidades de intervir e participar. A maioria dos problemas de humor na primeira infância desaparecerá com o tempo, com pais envolvidos nas causas e ambientes de apoio” .  

FONTE: The New York Times

Sobre a autora: A Dra. Perri Klass escreveu o livro “Um bom momento para nascer: como a ciência e a saúde pública proporcionaram um futuro às crianças”, sobre como nosso mundo foi transformado pelo declínio radical da mortalidade infantil.

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