Desde que a pandemia tomou conta das nossas vidas, há cerca de um ano, que o Zoom começou a fazer parte do nosso dia. Todos os dias há reuniões, encontros, chamadas, sempre ao computador. No fim de um dia de teletrabalho, passámos mais tempo em videoconferência do que em toda a vida anterior à pandemia. Se sente que no final destes dias está particularmente cansado, saiba que não é o único e que até há uma explicação científica para isso.

O fenómeno já tem nome: Fadiga do Zoom. Tem vindo a ser estudado ao longo dos últimos meses e, no final da semana passada foi divulgado um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que revela que este novo modelo de vida com constantes reuniões de Zoom está a levar muitos profissionais a um estado de exaustão mental que é em tudo semelhante a um burnout.

De acordo com este estudo, publicado no jornal científico “Technology, Mind and Behavior” (tecnologia, mente e comportamento, numa tradução livre), o facto de as pessoas passarem demasiado tempo ligadas a plataformas como o Zoom está relacionado com situações de maior stress, que depois torna a interação pessoal presencial mais difícil de gerir.

Jeremy Bailenson, um dos responsáveis pelo estudo, explica que “o tempo passado nestas reuniões cria nas pessoas a sensação de estarem a ser observadas (e ouvidas) durante muito tempo, o que pode gerar situações de grande ansiedade”. “As pessoas sentem que têm de ponderar bem cada movimento, até os mais banais, como esticar os braços ou bocejar”, refere.

O investigador sugere ainda que as reuniões desta natureza estão a aumentar a exposição das pessoas à fobia de falar em público ou em frente a uma audiência, o que “também contribui para um aumento generalizado do stress”.

A somar a todos estes elementos, Bailenson refere ainda que a redução da mobilidade das pessoas, que têm passado não só muito mais tempo em casa, mas também muito tempo ao computador, “interfere com a capacidade cognitiva”, o que poderá acelerar situações de burnout.

Apesar das conclusões alcançadas, o estudo refere que há um lado positivo na utilização destas plataformas, particularmente durante períodos de confinamento. “Plataformas como Zoom permitem manter algum tipo de contacto social, por isso é importante que existam, desde que utilizadas de forma equilibrada”.

Jeremy Bailenson sugere que há várias técnicas que podem ser adotadas para reduzir o stress causado por longos períodos de reunião no Zoom — ou em plataformas semelhantes. Uma destas estratégias passa por minimizar a janela da reunião: “desta forma a pessoa sente que a reunião é menos intrusiva e que não tem todos os olhos postos em si”.

Outra sugestão deixada pelo estudo é permitir que os participantes das reuniões desliguem as suas câmaras durante algum período de tempo (permitindo que se espreguicem, que se cocem ou simplesmente que não sejam vistos). Os participantes podem também procurar levantar-se e movimentar-se durante as reuniões, como forma de combater o sedentarismo.

Fonte: nit.pt

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