Por: Beatriz Casado

Tem se dado cada vez mais ênfase à importância de cuidar da nossa saúde mental, deixando de ser um tabu buscar ajuda profissional para isso. Neste cenário, a psicoterapia, tratamento destinado a esta área, vem ganhando espaço.

Podendo ser aplicada à diversos transtornos mentais, como depressão e ansiedade, e outros tipos de sofrimento emocional e problemas cotidianos, a psicoterapia deve ser realizada por profissionais graduados em faculdade de psicologia ou medicina (com especialização em psiquiatria).

O que nem todo mundo sabe é que os benefícios do processo psicoterápico se devem a fatores além do famoso desabafo. Exige do profissional uma escuta ativa, atenta àquilo que é dito e também a sinais não verbais, como expressão facial, postura, tom de voz, comportamento, etc. Também pede uma escuta curiosa, livre de pré-julgamentos ou interpretações precipitadas.

Além disso, é preciso olhar a queixa trazida pelo paciente à luz de uma abordagem teórica, compreendendo seu padrão de funcionamento e reconhecendo o que o causa e mantém, para assim escolher as intervenções com maior potencial.

As abordagens teóricas consistem em diferentes visões e explicações sobre as cognições, emoções e comportamentos humanos, devendo ser priorizadas aquelas que tem evidências de resultado comprovadas por um número razoável de estudos científicos.

A fim de obter resultados eficazes e duradouros, além de escolher uma abordagem baseada em evidência, o profissional precisa se qualificar por meio do aprofundamento e constante atualização teórica e de experiência prática supervisionada. Tão importante quanto isso, é ter clareza das demandas que conseguem atender ao paciente de forma eficaz, reconhecendo encaminhar a algum tratamento mais indicado ao quadro, quando necessário.

Além de dominar aspectos específicos de sua abordagem, como conhecimento teórico e habilidade de escolha e uso de intervenções, o psicoterapeuta deve se aperfeiçoar em habilidades de eficácia interpessoal e cultivo de aliança terapêutica sólida, imprescindíveis para adesão do paciente ao tratamento. Não menos importante, é o investimento em autoconhecimento e auto reflexão de sua prática, além de monitoramento constante dos resultados obtidos.

Assim, em vez de dar conselhos como muitos pensam por aí, o que um psicoterapeuta faz é ouvir avidamente e curiosamente a queixa do paciente, entendê-la à luz de uma teoria e planejar o tratamento mais promissor, ou seja, que tenha resultados terapêuticos comprovados para a demanda em questão. Neste processo conduzir o paciente, de forma colaborativa, às próprias descobertas e resoluções das situações, garantindo que estejam alinhadas com aquilo que é prioridade e traz significado à sua vida.  

Tendo em vista que a psicoterapia, se bem realizada, pode nos ajudar a identificar, entender e responder de forma saudável a nossos padrões de pensamentos, emoções e comportamentos e a consequência disso é, não só a prevenção de psicopatologias, mas também maior qualidade de vida e bem estar. Vale a pena investir na escolha do profissional que ajudará neste processo.

Peça indicações para familiares, amigos de confiança e profissionais da área da saúde com quem tem contato, pesquise em fontes confiáveis, entenda sobre a abordagem do profissional e faça uma escolha baseada no cuidado que sua saúde mental merece!

REFERÊNCIAS

CORDIOLI, A. V.; GREVER G. H. Psicoterapias: abordagens atuais. 4 ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.

ALVES, Sâmid. Competências do terapeuta cognitivo comportamental. Revista Psicologia em Foco, v.8, n.12, p.51-66. 2016.

Por: Beatriz Casado | Psicóloga clínica. Especialização e Proficiência em TCC. Formação em DBT. Supervisora dos Cursos de especialização em Terapia Cognitiva Comportamental do CTC Veda – São Paulo/Brasil.

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